Carnaval de Salvador segue na trilha da harmonia, será?

Trio elétrico

Movimentos sociais, sociólogos e antropólogos tentam reconstituir historicamente as festas de largo que acontecem ao longo do ano na cidade de Salvador. O carnaval da Bahia, predominante na capital, ganhou uma nova roupagem, isto em meados do século XX. Entre as décadas 1970 e 1980 o carnaval tinha uma característica totalmente avessa das décadas seguintes.

As marchinhas no Pelourinho e os encontros de pequenos trios na Praça Castro Alves eram os pontos simbólicos dessa alegria efêmera. Foi em 1974 que o primeiro bloco Afro (Bloco Ilê Aiyê) desfilou a beleza da diáspora africana na Avenida 7 de Setembro. Surgem também, sendo o mais tradicional os Filhos de Gandhy. Desfilar pela Avenida durante o carnaval de Salvador e perder de vista os blocos Afros é como ir à praia e não pisar na areia.

A união efêmera de diversos povos simulando uma confraria em favor da diversão é extraordinária durante a festividade do carnaval. Mesmo que esta (união) seja só aparentemente. É nesse período que a falsa democracia racial é identificada. Em cima dos trios elétricos há interação entre artistas de descendência indígena, africana, européia, asiática, etc.

Estando no chão é que essa democracia racial é desmascarada.A música tema do Carnaval 2007, cantada por Daniela Mercury e Jauperí, é uma retórica em favor da confraria entre povos de diversas culturas, mas não é o que praticidade demonstra: “Quem chega a Salvador/ É só felicidade/ No coração do mundo/ Na alma a liberdade/ Abraça toda fé/ Mistura toda cor/ Num banho de paz e amor…” O termo “abadá” quer dizer roupa, em Yorubá. É este o termo usado por empresas capitalistas para aglutinar foliais em volta de um trio.

A depender dos artistas que irão desfilar durante todo o percurso, esses abadás chegam a custar R$ 2.300. E o povo soteropolitano? Aqueles que circulam durante o resto do ano na Avenida 7, no Pelô, na Ondina e no Porto da Barra.Esses seguem suas vidas vendendo picolé, mingau, cafezinho e acarás, sendo assim, os legítimos foliais. É possível, em quase todos os anos, encontrar as mesmas caras nos arredores da “corda” ou atrás daqueles que vestem os abadás.

O carnaval soteropolitano realmente aderiu a uma nova característica. Isto é, a favor do capital financeiro. Na verdade o que interessa para as empresas que usufrui da cultura local é o lucro financeiro. E quem paga boa parte desse lucro? A população. O governo federal investe, o governo estadual investe e a prefeitura também investe na boa aparência desta cidade para a receptividade dos turistas. Tudo para disseminar o multiculturalismo discutido nas teses acadêmicas de um país respeita institucionalmente a diversidade étnica/racial e cultural.

Obs: Foto: http://www.terra.com.br/…/ba/triofotos.htm  

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