CINEMA

Contos de Araçás

Uma breve análise do filme o fim e o princípio, um documentário de Eduardo Coutinho

[Marta Ambrosina Dantas (MARIQUINHA) – Fotografia capturada do filme]

O fim e o princípio é um filme que através da lente cinematográfica mostra o cotidiano do povoado de Araçás, situado a 6 km do município de São João do Rio do Peixe, sertão da Paraíba. Até então anônimo para o resto das populações do país, porém as idéias e o modo de vida das pessoas que moram em Araçás assemelham-se as com outras regiões interioranas do Brasil. Um povoado que afronta à seca e todas as adversidades que perduram em regiões desfavorecidas e esquecidas pelos poderes públicos. O fim e o princípio é dirigido por Eduardo Coutinho, renome do documentário brasileiro, e conta com a produção executiva de João Moreira Salles e Maurício Andrade Ramos.

Ouvir histórias de pessoas que moram no sertão foi a idéia inicial que levou o diretor a mostrar durante os 110 minutos de filme os diversos contos de Araçás. Pois, segundo Coutinho, o imaginário das pessoas é reforçado, devido à paisagem que os cercam, o ambiente rural. Um espaço definido por cenários hostis para as populações pobres com dificuldades de ascensão econômica e de movimentação. Pessoas que se asseguram à religião, neste caso ao cristianismo, para entender o verdadeiro conceito da existência humana, pessoas que temem a morte, mas que vivem em meio à solidão e a pobreza.

Os contos narrados por alguns atores sociais do povoado de Araçás, ao final, são como um relicário que caracteriza o perfil dos inúmeros vilarejos dos sertões brasileiros. Histórias cingidas com naturalidade para uma equipe que produz cinema. O fim e o princípio, sem sombras de dúvidas, é um filme que merece ser assistido e discutido por todo o povo nato deste país com o sentimento de conhecer a história do sertão brasileiro contada pelos próprios sertanejos.

O diretor, Eduardo Coutinho, carrega em sua bagagem conhecimentos adquiridos durante a sua passagem pela área do jornalismo, do teatro e do cinema. Um tripé que o caracteriza como um homem sábio, político (no sentido etimológico da palavra e não político de parlamentar), capaz de produzir cinema com sensibilidade a cerca de questões adversas sobre os diversos tipos de problemas existentes em todo o território brasileiro. Coutinho expõe a realidade como ela é. Não existe espaço e nem gosto pela manipulação. Conversas informais são mais interessantes e imprevisíveis do que a breve entrevista agendada, com perguntas elaboradas diante da tela do computador e do atrito dos dedos com o teclado e com o mouse. A voz-over (“voz de Deus”), só em momentos de apresentar ou quando é preciso narrar uma informação paralela à questão.

FICHA

O fim e o princípio (2005/2006, Brasil, 110′).

Mediadora: Rosilene Batista de Souza (Rosa, a jovem professora e agente voluntária da Pastoral da Criança do município de São João do Rio do Peixe).

Realizador, Vídeo Filmes (RJ): Eduardo Coutinho.

Produção Executiva: Maurício Andrade Ramos & João Moreira Salles

Direção de Fotografia: Jacques Cheuiche/ ABC

Som: Bruno Fernandes

Montagem: Jordana Berg

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