Café descafeinado

Por Vilma Neres
cafearabe

Desde a última terça-feira (02.06.2009) sinto fortes dores na região frontal da cabeça. Hoje, conversando com minha mãe, que, aliás, não a vejo bem de pertinho há uma semana, ela me pergunta se eu sentir alguma diferença ao beber o café durante esses dias. Logo hesitei a pergunta sem antes respondê-la: mas por quê? Mãinha disse bem ditosa que deixou de comprar a marca habitual que consumimos e resolveu trocar pelo café descafeinado, “faz bem para a nossa saúde minha filha!”. Como assim, para o meu organismo só o café com cafeína, o verdadeiro café, me faz muito bem. Se não bebo café, fico muito mal, integralmente, nada funciona, fico estressada, mal humorada, não consigo escrever, pensar, é fico muito mal.

 Assim pude entender o porquê desta dor que sinto agora. Mãinha, a senhora quase me levou a um infarto. A senhora acredita que comecei a cogitar a possibilidade de ter sofrido um AVC, porque durante esses meus 24 anos nunca sentir dores na cabeça por mais de cinco dias, e o pior, quando não tomo café, assim que o dia amanhece, fico muito agitada, nervosa e logo a cabeça começa a pesar. Bebo café e passa, assim como um fenômeno astrológico que apreciamos ao rachar o céu.

A minha cabeça começou a doer, possivelmente, desde que a minha mãe resolveu mudar o tipo do café que bebemos em nossa casa, mas achei que não fosse à falta do café que me causava dores e sim outro problema, já que eu acreditava que bebia café com cafeína e também ingeria diariamente um analgésico, é pra ficar muito mal, pirar de vez.

De acordo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência que o organismo humano tem da cafeína trata-se de “um estado psíquico, e às vezes físico, causado pela ação recíproca de um organismo vivo e uma substância química, que se caracteriza por modificações no comportamento e por outras reações que compreendem sempre um impulso irresistível para tomar o fármaco (ou tóxico), contínua e periodicamente, de maneira a experimentar seus efeitos psíquicos e, às vezes, para evitar o mal-estar produzido pela privação da substância. Uma mesma pessoa pode ser dependente de uma ou mais substâncias”.

Eu sou dependente da cafeína, que não deixa de ser uma dependência química, mesmo que café seja uma bebida natural, já que o meu organismo encontra-se intoxicado pela cafeína. Meus olhos começam a ficar vermelhos e bem pequenos, aliás, já são pequeninos desde que nasci. Tenho a sensação de inchaço no rosto, enfim vivo uma perturbação se deixar de tomar o bendito bem que o café me faz. Dentro do meu ambiente familiar, somos eu e mais três irmãs dependentes da cafeína, entre as cinco pessoas que convivem comigo.

O consumo do café aqui no Brasil é sagrado, digo que um pouco exagerado. Em ambientes de trabalho, durante as reuniões, quando recebemos visitas em nossas casas é tradicional e comum que sirva um café bem quente, esse costume acontece de norte a sul, dentro dos 26 estados desse país.

O consumo excessivo do café, aqui em terras brasileiras, começa a partir de 1889, durante a República Velha (1889-1930), de acordo com os historiadores Luiz Koshiba e Denise Manzi Frayze Pereira (1987:264) para atender com os fazendeiros de café paulistas,mineiros e cariocas. A República Velha, por isso, foi chamada de República do Café. A imensa maioria da população dependia da economia cafeeira, direta ou indiretamente, considerando inclusive os setores em desenvolvimento.

Daí, até os dias de hoje, o consumo do café é mais do que necessidade, para mim o consumo do café é por pura dependência mesmo, pois, particularmente não gosto do sabor do café, mas aprecio o seu aroma, nossa é excitante!

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