Comunidade sofre com a falta de humanização nos serviços públicos

Por Vilma Neres

Moradores(as) da comunidade Raísa Gomes denunciam a ausência do poder público e a falta de ações de intervenção educativas e culturais. Nessa região a coleta do lixo só ocorre a cada dois meses, não há pavimentação nas ruas, carência de acessibilidade urbana, principalmente para as pessoas portadoras de algum tipo de necessidade especial.

O descaso com a saúde pública e a falta de urbanização nas comunidades à margem do olhar turístico produz como consequências a baixa autoestima, violência e doenças. Esses são alguns dos problemas sociais que dificultam o cotidiano da população soteropolitana que residem em comunidades da periferia de Salvador, a exemplo da comunidade Raísa Gomes, localizada na baixa do Arenoso, bairro Beirú/Tancredo Neves.

A dificuldade de deslocamento faz parte da rotina do pintor e portador de necessidade especial, José Jorge de Jesus, 48 anos, morador há 18 anos. Esse é só mais um dos problemas que José Jorge tem enfrentado, quando chove a situação fica ainda pior, pois  cobras e ratos invadem as casas e as ruas alagam de lama, porque ainda não existe pavimentação.

O pintor José de Jesus, 48, tem dificuldade de se deslocar dentro da comunidade onde mora há 18 anos, porque as ruas não são asfaltadas e também não há saneamento básico.

O pintor José de Jesus, 48, tem dificuldade de se deslocar dentro da comunidade onde mora há 18 anos, porque as ruas não são asfaltadas e também não há saneamento básico.

 “Além do mais, eu tenho dificuldade de subir ladeira, mas é a única forma de acesso que temos. Pra mim é muito difícil, porque pra qualquer canto que eu vá, tem ladeira. Quando chove fica mais difícil sair, tem também o lixo que leva mais de um mês para a Limpurb vir pegar. Agora é o seguinte, os políticos promentem antes das eleições, mas depois criam dificuldades para não realizar”, conclui.

“O João Henrique (atual prefeito de Salvador) pediu votos da gente e disse que ia fazer a mesma coisa que fez na Centenário (Avenida). Foi o que ele prometeu aqui, e até hoje estamos nessa situação. O bairro aqui só é falado pela violência, mas nós não queremos saber de violência, nós queremos lazer e moradia digna.

Vamos botar o ponto no i, se dá próxima vez que tiver eleição e voltarem a dizer que fará isso e aquilo, nós não daremos mais voto”, desabafa o pescador Antônio Jorge Moura, 52 anos, que reside há 23 anos na região de Raísa Gomes.

Vamos botar o ponto no i, se dá próxima vez que tiver eleição e voltarem a dizer que fará isso e aquilo, nós não daremos mais voto”, desabafa o pescador Antônio Jorge Moura, 52 anos, que reside há 23 anos na região de Raísa Gomes.

“Dá próxima vez que tiver eleição e voltarem a dizer que fará isso e aquilo, nós não daremos mais voto”, afirma o pescador Antônio Jorge Moura, 52, que reside há 23 anos na região de Raísa Gomes, comunidade localizada dentro do Beirú.

A fala do pescador traduz indignação e a consciência de que existe descaso por parte do poder público. Através dessa fala podemos identificar que, o que está por traz dessa problemática, é o crime de racismo ambiental contra mulheres, homens e crianças negras, que enfrentam realidades injustas, negadas dos benefícios de infraestrutura da região onde mora, dos mesmos serviços públicos que são realizado nos bairros, considerado nobres, como Pituba, Barra, Ondina, Corredor da Vitória, Graça, Stella Maris, etc.

O córrego que passa por dentro da comunidade Raísa Gomes, na verdade é um rio afluente do Rio Pituaçú. Hoje o lugar onde era só mato, abriga aproximadamente 300 famílias. Há pouco mais de 15 anos, no local onde hoje fica localizada a comunidade Raísa Gomes, havia duas bacias (pinicões) que serviam para oxigenar o esgoto que descia da casas da região de cima.


Com o passar do tempo, famílias ocuparam essa região, aterraram as bacias e ergueram casas mesmo sem planejamento por não ter onde morar.

A comunidade Raísa Gomes, antigo Suvaco das Cobras, está estabelecida há mais de 15 anos. Na imagem abaixo, capturada através do google maps, é possível ter noção do tamanho da comunidade, região sinalizada em vermelho. A direita da imagem, após a reserva de mata atlântica está o Centro Administrativo da Bahia (CAB), em contraste com a realidade dessa região.

Jair da Silva

O problema do lixo é o que mais causa danos à saúde dos(as) moradores(as) dessa região. “Quando não aguentamos mais o mau cheiro, tocamos fogo no lixo”, explica o cabeleileiro Jair da Silva, 33 anos, pai de uma criança recém nascida. A ação de queimar o lixo é para diminuir os riscos de contaminação pelo acúmulo de lixo que fica entre a Rua Vila Nova São Bento e a Quinta Travessa da Vila São Bento.

Mas, de acordo com informações do Portal EducaRede, a queima do lixo provoca doenças respiratórias e cutâneas, além de liberar gases tóxicos que atingem a atmosfera e se espalham pelo planeta, produzindo alterações climáticas.

A situação é bastante desumana e causa revolta, porque os problemas enfrentados, no dia a dia pela comunidade, oferecem riscos à saúde pública. Abaixo mais fotografias dessa realidade:

        

         

Rua da Horta, entre o bairro do Cabula VI e o Arenoso.

Fotos e texto por Vilma Neres, jornalista 3.382 DRT-BA 3382, reside no Beirú.

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