Viagem pitoresca à Monte Castelo

Por Vilma Neres

No Rio de Janeiro há 40 anos, Primo é mineiro de Carangola e vive das frutas que vende nos arredores da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos.

PRIMO (4) X

“Primo” é o codinome de Luiz Brás, 67, há 40 anos saiu de Minas Gerais para viver no Rio de Janeiro. Foto by Vilma Neres.

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Quase que transportado do universo pitoresco de Rugendas/Debret, é como se observa Primo no olhar naif de Heitor dos Prazeres, ao chegar à Praça Monte Castelo. A semelhança de Primo com as obras desses pintores, é que no início do século XIX foram esses artistas que mais retrataram fragmentos da labuta diária de homens e mulheres negras.

De segunda à sexta-feira, das 11h até às 17h, Primo vive com orgulho a profissão de feirante. Assim como os profissionais de medicina, o vendedor de frutas é um agente de saúde para amigos e clientes, que desfrutam, literalmente, de conversas adocicadas com talhas de melancia, melão, abacaxi, laranja, caqui, pêra ou banana.

“Primo” é o codinome de Luiz Brás, 67, que de vendedor de picolé passou a comercializar frutas já fatiadas, prontas para o consumo. Sendo um apreciador do samba carioca, anda quase sempre de chinelo, camisa, bermuda e boné. É também amante do cinema, quando se estar no aconchego da família.

Em 1957 o mineiro chega a segunda capital do país, São Sebastião do Rio de Janeiro, ainda com 12 anos. O bairro de Mazomba – em Itaguaí, Região Metropolitana do Rio de Janeiro – tem sido palco de parte das mudanças vivenciadas por Primo. Em média leva-se 2h de viagem, saindo de Mazomba até o Centro da capital, onde trabalha e alimenta as amizades conquistadas ao longo desses últimos 27 anos.

O metalúrgico “Mudinho”, Raimundo Silva, diz que há 20 anos come frutas no tabuleiro de Primo, que hoje é um amigo e com quem fala dos amores, das dores e das alegrias. Mudinho conta que a história dos dois é nutrida na hora do almoço.  “Durante os 20 minutinhos que passo aqui é assim… ai é Primo pra lá e Primo pra cá”, festeja.

Cáudio Bezerra é mecânico e trabalha nas proximidades da Praça Monte Castelo, conta que admira a criatividade e, sobretudo, a simpatia do mineiro. “Compro frutas aqui sempre após o almoço, é minha sobremesa, além de bater papo. Geralmente, quando ele (Primo) está de bom humor, ele dá de brinde uma fatia de melão silvestre”, brinca.

Os vendedores(as) ambulantes são retratados(as) a partir de 1820, com a chegada de pintores europeus a fim de apresentar os costumes do Brasil para a corte portuguesa, a exemplo do tabuleiro das baianas de acarajé e seus quitutes. Desde então, esses afazeres caracterizam ruas e praças dos grandes centros urbanos, onde é, normalmente, possível garantir a sobrevivência, como faz Primo e centenas de brasileiros(as) que trabalham nas ruas.

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