Dance, ouça, reflita e informe-se ao som de Opanijé

Por Vilma Neres

Como o encanto da correnteza de um rio, o álbum Opanijé, que também denomina o grupo de rap, chega as lojas de todo o país e é o primeiro do trio, formado por Lázaro Erê, DJ Chiba e Rone Dum Dum. O disco apresenta um repertório riquíssimo e reúne 14 músicas que reportam fragmentos da história ancestral negra (afro-brasileira e africana), poetizando as identidades linguísticas, rítmicas e, sobretudo, religiosa.

O trio que forma o Opanijé é formado, da esquerda para a direita, por Lázaro Erê, Rone Dum Dum e DJ Chiba. Fotografia de Felipe Cartaxo/ Divulgação.

Opanijé é formado por Lázaro Erê, Rone Dum Dum e DJ Chiba. Foto de Felipe Cartaxo/ divulgação.

Desde 2005 a trajetória do Opanijé vem sido tecida e, pouco a pouco, suas produções são entoadas por muitas personalidades, a exemplo do fotógrafo Antonio Terra, da cineasta Viviane Ferreira, Xandy do grupo de pagode “Harmonia do Samba”, do rapper Thaíde, Elly Pretoriginal do DMN, Jair Cortecertu, entre tantas outras.

Para além da qualidade artística, porque é o espera de quaisquer produções, não há como ter dúvida de que o posicionamento do grupo Opanijé é político! Sem dúvida, o grupo traça uma história e com expertise constrói um legado para a produção musical brasileira, porque o Opanijé protagoniza a ação de musicar em ritmos e versos canções que verbalizam positivamente o Candomblé.

A canção, intitulada por “Encruzilhada”, que abre o disco é em homenagem a Exú e como canta e conta o Opanijé, é aquele que “comunica entre a terra e o céu”.  A letra também alerta contra a intolerância religiosa, enfrentada por muitos cidadãos e cidadãs brasileiras que vivenciam o Candomblé.

Assim como a música “Encruzilhada”, “A cura” emite uma mensagem de respeito à diversidade religiosa que há no Brasil. E vai além, fortalecendo o elo de resistência das culturas negras (afro-brasileiras), que há 126 anos vem resistindo as consequências da escravidão, da política de branqueamento legitimada com o projeto ideológico de eugenia e, mais evidente nas últimas décadas, pelo racismo.

O rap, como um gênero musical, serve ao Opanijé como um instrumento para pensar as mazelas encaradas pelas populações que não compartilham de cidadania plena. As músicas reunidas nesse primeiro álbum refletem o machismo, como “Hoje eu acordei mulher”. Já as canções “Sangue de Angola” e “Aqui onde estão” promovem uma reflexão acerca do protagonismo da população negra para a construção deste país. Como também aborda à violência e o extermínio dessa população programada como conta gota desde o dia 14 de maio de 1888.

O álbum Opanijé é repleto de participações especiais, que representam a musicalidade brasileira, como a Orquestra Rumpilezz, Gerônimo, Ellen Oléria, G.O.G, Gabi Guedes, DJ Márcio Cannibal, Robertinho Barreto, Aspri, Heider Soundcista, Gomes e X, André T e Sereno Loquaz. O álbum Opanijé foi produzido por André André T e Soraia Oliveira e lançado oficialmente em 26 de novembro de 2013 pela distribuidora Garimpo Música.

Serviço:

»Fanpage

»Myspace 

»Onde comprar

»Videoclipe da música “Se Diz”

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