Clube de Afetos

Por Vilma Neres

Durante a minha formação em Comunicação Social/Jornalismo cursei duas disciplinas que abordavam a sétima arte como linguagem aliada à informação, para além do entretenimento. Sempre fui apaixonada pelo cinema, bem como pela fotografia. Lembro-me que uma das regras do meu professor de “Documentário” era que devíamos, no mínimo, assistir a cinco filmes semanalmente e em seguida analisá-los de modo subjetivo e com base teórica. Custei cumprir as tarefas de exercício diário de produção de crítica de cinema. Somente após seis anos eu retomo a essa divertida atividade e, sem aprisionamentos políticos, regras e prazos, invoco a escrita sobre cinema com base nos filmes vistos por recomendação ou curiosidade.

A inspiração para retomar o ato de escrever foi instigada logo após assistir ao filme The Single Moms Club/ O Clube das Mães Solteiras” dirigido por Tyler Perry, que também atua no filme com o papel de TK, o pai solteiro que formará par romântico com May (Nia Long) . Ao término do filme refleti o quão sozinhas estamos, nós, pessoas, nessa fase virtual e histórica de facebook e whatsApp! Em alguns momentos quando nos reunimos procuramos sempre “apresentar” uma ideia de empreendimento sob o pretexto de favorecer a coletividade. Mas, afinal, a qual coletividade nos referimos? Se não conseguimos nem dialogar com a outra pessoa do lado para saber como de verdade segue o percurso de sua vida…

Imagem reproduzida do filme, personagens: May (Nia Long), Jan (Wendi McLendon-Covey), Hiallary (Amy Smart, Esperanza (Zulay Henao), Lytia (Cocoa Brown).
Imagem reproduzida do filme “The Single Moms Club”/by Vima Neres: May (Nia Long), Jan (Wendi McLendon-Covey), Hiallary (Amy Smart, Esperanza (Zulay Henao), Lytia (Cocoa Brown). 

Escrito pelo diretor Perry, o roteiro é sensível ao abordar questões enfrentadas por mulheres que “se tornam” mães solteiras. São cinco mulheres protagonistas, entre essas uma colombiana, duas negras e duas brancas. Elas têm trajetórias, profissões e lidam com problemas distintos. O que têm em comum é o fato de serem mães solteiras. Elas se conhecem durante reunião na escola de seus filhos (e filhas) e são orientadas a realizar um evento para arrecadar fundos, porque os filhos (e filhas) poderiam ser expulsos (e expulsas) por comportamento desordeiro.

Como bem diz o ditado: “tem mal que vem para o bem”! Após a reunião, mesmo com aparente falta de compatibilidade entre elas, começam a planejar o evento durante encontros na casa de uma delas… E no decorrer dessas sessões elas criam “o clube das mães solteiras”. Não seria como o “clube da Luluzinha”. Elas criam vínculos, trocam afetos, compartilhar suas angústias, alegrias, projetos de vida… E juntas identificam afinidades que acreditavam não existir. “O clube das mães solteiras” seria como “o dia da motorista” ou um grupo de amigas que se unem para satisfazer o desejos de quereres umas das outras.

Sem dúvida que o cinema é um canal fechado que pode ser aberto ao refletirmos inúmeras questões compartilhadas em nosso cotidiano da “vida real”. Para mim, com certo saudosismo, “o clube das mães solteiras” é como o “Clube das Candaces”, formado por mim e quatro amigas – Ariane Teixeira, Simone Melo, Josi Paim e Fabiana Maia. Nos reuníamos quinzenalmente para cuidarmos umas das outras… Íamos sempre para casa de Ariane, porque à época, com exceção de Ariane, morávamos com os nossos familiares. Dividíamos o valor da compra dos ingredientes para “o prato do dia”, que quase sempre era preparado a “cinco mãos”. Durante o preparo íamos conversando, falávamos das conquistas, dos sonhos, dos desamores, das perdas, das frustrações… Após o almoço sempre acontecia a “sessão de beleza”… isso acontecia em Salvador e durou algum tempo.

Estando aqui, no Rio, desde 09 de março de 2012, sinto falta e necessidade de momentos como esses que vivi na companhia de minhas amigas e irmãs por escolha. Gostaria, e neste caso me refiro aos movimentos organizados de mulheres, seja essas negras e não negras, que os encontros fossem mais afetivos e que de fato pudessem catalisar as nossas energias para ações e mudanças mais efetivas em nossas vidas. Pessoas, homens e mulheres, precisamos de mais afeto! Afeto é necessário para a nossa existência enquanto seres humanos, seja esse afeto familiar, amigável e/ou amoroso. Afeto é importante e salva vidas! Em vez de hashtag vamos repercutir afeto! Como bem diz o cineasta Stephen Llyord Jackson“as pessoas precisam de amor do mesmo modo que as flores precisam de chuva”.

Serviço:

Abaixo assista ao trailer do “The Single Moms Club“.

Se gostou, assista pela plataforma Popcorn Time, que funciona como o Netflix, porém o Porcorn Time é grátis! Faça o download, depois instale em seu PC/ laptop e ótima sessão!

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