NEGRITUDE

Noite da Beleza Negra resgata identidade étnDeusa do Ébanoica

As 16 finalistas tiveram que se  empenhar da coreografia ao figurino. Ambos baseados no tema que o Ilê Aiyê levará para a avenida durante o carnaval.

Cerca de 1,5 mil pessoas foram prestigiar o concurso Noite da Beleza Negra organizado pelo bloco carnavalersco Ilê Aiyê, na noite do dia 12 de janeiro. A dançarina, Adriana Santos Silva, 24 anos, venceu 70 candidatas e foi eleita a Deusa do Ébano. Em segundo lugar ficou a coordenadora pedagógica Gisele Santos e em terceiro a dançarina Daniele Nobre.

Para o presidente do Ilê Ayiê Antônio Carlos dos Santos, o Vovô, o concurso que elege a mais bela das belas tem por finalidade levantar a auto-estima das mulheres negras. “Entrei nesse concurso por amor à dança e ao bloco Ilê Aiyê. Dançar é a minha vida e a minha arte. Por isso fiz minha inscrição. Sem esperar acabei sendo eleita. Havia muitas meninas bonitas e que dançavam muito bem. Dedico esse reinado a todas elas”, pontou Adriana Silva, que partipa do concurso pela terceira vez.

De acordo com Vovô, o concurso é prestigiado pela população de Salvador e pelas personalidade nacionais. O evento ocorre sempre 15 dias antes do  sábado de carnaval. A vencedora participará das apresentações do bloco Ilê Ayiê, no Brasil e no mundo durante todo o ano de 2008. Para a vereadora Olívia Santana, o concurso da Beleza Negra é importante bna medida em que celebra a estética de raízes africanas que se distingui da estética das mulheres européias. “Essa ação colabora com uma luta mais ampla pela eliminação do racismo”, destaca.

A Noite da Beleza Negra é realizada há 29 anos. São três etapas que incluem o preenchimento da ficha de inscrição, pré-seleção e a eliminatória final. As 16 finalistas tiveram que se empenhar da coreografia ao figurino. Ambos baseados no tema que o Ilê levará para a avenida durante o carnaval. E por ter criatividade, comunicação com o público e evolução coreográfica, a dançarina Adrinana Santos Silva venceu todas candidatas.

A atriz, dançarina e Deusa do Ébano de 2007, Fernanda Ramos Nascimento, 20 anos, enfatiza que pelo fato de ter sido eleita Deusa do Ébano, oportuniza outros trabalhos. “Ganhei mais visibilidade porque além de ser dançarina eu sou atriz. Após ter sido eleita, as pessoas passaram a ter interesse por outros trabalhos que realizo, procuraram saber o que faço, me ofereceram propostas de trabalho publicitárioa, espetáculos, etc. Agora vou participar do curta metragem Xisto Bahia, isto é bom, dirigido por Joel de Almeida”, disse Fernanda Nascimento.

O Tema do Ilê esse ano é Candaces: As rainhas do império Méroe, que mostrará o poder político e de organização da mulher negra africana e seus reflexos no Brasil. “Candaces significa mulheres de sangue real, corajosas, guerreiras que ocuparam posições proeminentes, status importantes, funções políticas, sociais e culturais”, conta Vovô. O bloco escolheu algumas mulheres para homenagear em 2008: a sacerdotisa do Jeje-Mahi, na Bahia, Gaiaku Luiza, a cantora e compositora Leci Brandão, a artista plástica Dete Lima, a atriz Ruth Souza, a militante, em memória, Lélia Gonzáles e o grupo de Mulheres do Alto das Pombas.

DANÇA ANCESTRAL

Por Vilma Neres 

Bailarinos senegaleses em cena

Waxtaan através de gestos coreográficos conduziu a platéia da Sala principal do Teatro Castro Alves, na noite do dia 23 de novembro, para uma reflexão sobre a importância dos valores culturais do povo senegalês e de todos os povos do globo terrestre. Remeteu também que a maior riqueza de um povo é a ancestralidade, pois é através de nossos antepassados que conseguimos reconstruir o presente e planejar o futuro.

Os bailarinos senegaleses mostraram através da coreografia que é possível não nos esquecermos do nosso passado e ao mesmo período nos adaptarmos à atualidade diante das tantas possibilidades eletrônicas que nos é apresentada. Waxtaan quer dizer “discussão” em wolof, língua africana. Waxtaan é um espetáculo de dança organizado pela Companhia Jant-Bi é o mesmo que “o sol” em wolof. Essa companhia vincula-se ao Centro Internacional de Danças Africanas – L’ École des Sables/Escola das Areias – Senegal.

Segundo a direção da Cia Jant-bi, representada por Germaine Acogny, essa mostra artística se baseia nas danças tradicionais e populares de nações como Guiné, Mali, Congo, Costa do Marfim, benin e Senegal, apresentando uma nova possibilidade de percepção das culturas africanas, reorganizando-as com viésm contemporâneo.

FICHA TÉCNICA:

Direção Artística: Germaine Acogny. Coreógrafos: Germaine Acogny e Patrick Acogny. Bailarinos: Abdou Diop, Abdoulaye kane, André Dramé, Babacar Ba, Ciré Beye, Douda Ndao, Ousmane N’Diaye e Tchebe Saky. Música: Oumar Fandy Dio e percussionistas da Ecole des Sables. Músicos: Abdoulaye Diop, Ndeye Seck, Oumar Fandy Diop, Ousmane Sene e Pape Badara Fall. Light Design: Horst Mühlberger. Luz Técnica: Marco Wehrspann. Set Design: Patrick Acogny. Figurino: Patrick Acogny e Germaine Acogny. Produção: Association Jant-Bi, Senegal. Monager: Helmut Vogt.

Entrevista com o griô e arte-educador Jorge Conceição

O griô e arte-educador Jorge Conceição se diz decepcionado com a feiura do mundo adulto e propõe, para além dos valores ideológicos, a pedagogia do amor. Este arte-educador almeja com essa pedagogia estudar e introduzir a questão da diversidade étnica, social e cultural na educação de crianças e adolescentes e também na formação da identidade de jovens, adultos e idosos.

[VILMA NERES] O que é ser arte-educador?

[JORGE CONCEIÇÃO] Ser um educador mais alegre, mais comprometido com a escola, mais comprometido com as múltiplas vias de produzir o conhecimento, o saber.

[V.N] Quando começou a trabalhar com arte-educação?

[J.C] Quando criança, os adultos só contavam histórias que mentiam medo, refernciando sempre a cor preta. As crianças gostam de todas as cores, mas quando mostra a cor preta elas não aceitam. E foi nesse sentido que comecei a trabalhar com crianças, em 1995, no Ilê Aiyê. Trabalhei com as crianças do projeto Cidade Mãe, Banda Erê (banda percussiva mirin do Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê).

[V.N] Por que mantém distância da academia?

[J.C] Desistir de ser professor titular da Ucsal e da Uneb, em ambas lecionava  Geografia da África e Teoria do Conhecimento Geopolítico. Decepcionei- me com feiúra do mundo adulto. Chamo de feiúra a falta de seriedade, a falta de respeito, a corrupção, a ambição, etc. Nesse período, em que vivi dentro da academia passei a me preocupar com a educação de crianças  de adolescnetes.

[V.N] Como surge essa preocupação?

[J.C] Estudando os traumas de crianças e jovens. Constatei alguns traumas adiquiridos dentro da instituição familiar, dentro da escola, na rua e com os próprios pais. Preconceito racial, machista, sexual, sócio-econômico, e que interferem na formação da identidade. O trauma de superação étnica provoca o racismo e daí por diante originam- se os mitos. Os mitos são valores ideológicos, cujo valores são de inferioridade pra uns e de superioridade pra outros. Então, os mitos servem para a introdução do complexo de inferioridade e superioridade, você não pode ser mais ou menos racista, é ou não é?

[V.N] Como superar esses mitos?

[J.C] Através de trabalhos educacionais que tenham como conteúdos e métodos, a filosofia de superação de traumas, recalques e sentimentos de superioridade.

[V.N] Exemplos de filosofia de traumas…

[J.C] Em relação a questão étnica, hoje nós temos a Lei 10.639, lei de inclusão da História das Culturas do continente africano nos livros didáticos de ensino fundamental e médio. Essa Lei traz conteúdos, métodos e questões que contribui com resgate das identidades étnicas dos descendentes de africanos desde a remota infância.

Em relação aos traumas sexuais: educação amorosa dos relacionamentos entre gêneros, pais e filhos, entre irmãos, primos e amigos. Trabalhar e promover o reencontro amoroso através da produção de materiais didáticos, oficinas de arte-educação e outros laboratórios lúdicos e psicopedagógicos que requeiram os sentimentos de igualdade entre as diferenças tantas.

[V.N] De que forma você, enquanto educador e griô pensa a superação dos traumas?

[J.C] Através das palestras, vivências no cotidiano, cursos e com uma produção literária ampla, com comteúdos e métodos que revisam toda uma construção de valores segegacionista, reprodutores de ódio e recalques, reprodutores de gula, consumismo fútil, egoísmo, etnocentrismo, etc. Este conjunto de sentimentos e ações patológicas são responsáveis pela construção de uma sociedade cada vez mais desumana. Portanto, trabalho com uma pedagogia que traduz sentimentos pela humanidade, pois a humanidade deve encarar todos como merecedores de respeito, ações afirmativas, direito à cidadania e a vida em quaisquer situações.

[V.N] Quais são esses sentimentos que valorizam a vida?

[J.C] Eu acredito que a solidariedade, o amor, a justiça, o desprendimento, a confiança, a seriedade. Todos estes são sentimentos importantes para uma vida justa e na afirmação de identidade. Todos esses sentimentos vão contribuir para reverter um conjunto de ações negativas, antiecológicas, destrutivas, machistas e racistas que estão conduzindo à humanidade a um processo difícil de convivência. A pedagogia que eu acedito passa pelo amor entre a humanidade reestabelecendo para esta a competência justa, assim, corações e mentes imunes de preconeitos e livres da individualidade.

[V.N] Exemplos de ferramentas didáticas para que a condição amorosa seja praticada…

[J.C] O livro o Boi Multicor é um exemplo estético, sonoro e textual da pedagogia que desconstrói cantigas de ninar, como exemplo “o boi da cara preta que pega a criança que tem medo de careta”. Dai reescrevo: o boi da cara preta que é muito belo e chega com os caretas. Ete convidou a boiada para uma relação solidária e brincalhona com as crianças e a carranca. O boi da cara azul chegou dançando lá do cruzeiro do sul. O boi da cara lilás, na Praça do Alecrim brinca com muita paz. O boi da cara amarela é muito lindo e desfila na passarela, enquanto que o boi sem pigmento come a jaca dividindo com o jumento. Deste modo, estou contribuíndo para uma infância mais respeitada, solidária e livre de preconceitos cosntruídos pelos adultos.

[V.N] Você é religioso?

[J.C] Sou religioso, mas não tenho igreja. A minha casa religiosa é está debaixo de um pé de jaqueira, com as formigas, ouvindo os trovões, tomando banho de praia, contemplando a natureza, contando histórias para crianças e adultos, ajudando a diminuir o sofrimento das pessoas. Meu templo está de acordo com os propósitos da natureza, da vida.

[V.N] Tabalhar com arte-educação é refúgio à feiúra do mundo adulto?

[J.C] Sim! Devemos treinar o ser humano ainda quando criança, educá-las para respeitar à vida e não educá-las para reproduzir o ódio, o egoísmo,  a falta de caráter, etc.

[V.N] Você, como ex. docente titular da Ucsal e da Uneb, o que é contribuir com a formação intelectual de alguém?

[J.C] Em primeiro lugar, respeitar os limites de raciocínio, de emoções e outros limites tantos que cada pessoa  está caracterizada. Depois trabalhar de modo holístico, interdisciplinar todos os conteúdos e métodos necessários para a formação de um caráter solidário, respeitando as diferenças e espiritualmente harmônico. Nesse sentido, o ser humano tem o seu início no campo do conhecimento com sabedoria.

[V.N] Exite falha na educação brasileira?

[J.C] Existem tantas… A primeira delas está associada ao próprio modelo político neoliberal que não prioriza a educação no orçamento da união. Melhorou bastante no governo de Lula com as disponibilidades de recursos materiais e programas de inclusão das classes sociais menos favorecidas no ensino superior e um olhar na direção da qualificação dos professores, mas ainda falta muito. E o outro fator, é a qualificação profissional de acordo com os contextos geográficos e culturais ou regionais. Então, a escola pública, principalmente nas séries mais avançadas, necessita com o máximo de urgência de uma educação mais contextualizada com a realidade ambiental e cultural. Algo que se basei até na pedagogia contextualizada de Paulo Freire, mas que avance com o uso de tecnologias educacionais e que ao mesmo tempo tecnologias brandas e ecológicas que preencham o vazio produtivo ou a falta de opção profissional para os jovens e adultos buscarem sua renda na própria localidade onde residem.

[V.N] Que valores você tem pra enfrentar a contemporaneidade de hoje como arte-educador?

[J.C] Os valores que eu cultivo para enfrentar a falta de respeito das pessoas, a hipocrisia, a intolerância, a falta de sensibilidade é praticar solidariedade cotidianamente, expressar solidariedade na minha produção literária. A arte-educação para mim é um instrumento de proteção para o outro, então eu faço desse instrumento um veículo que fortalece no outro a auto-estima, o sentimento de protegido, amado que fortalecem nas suas aventuras com os obstáculos criados pelo racismo machismo e outras formas tantas de exclusão social. Eu trabalho com uma perspectiva futura de criar uma pedagogia da justiça e paz, no processo integral.

***ENTREVISTA realizada em novembro de 2007 por Vilma Neres, no Museu do Objeto Imaginário, rua Gregório de Matos, Pelourinho.

Seminário aborda proteção do adolescente em conflito com a Lei

Cartaz

Estudiosos apontam que crianças e adolescentes são os mais vulneráveis juridicamente à violência. Foi pensando nesta questão da criminalidade que a Segunda Vara da Infânicia e da Juventudade reuniu, ontem, educadores, juizes, assistentes sociais, mestres em Direito Público, antropólogos e estudantes para discutirem “O papel da escola e do sistema de justiça na proteção do adolescente em conflito com a Lei”, o seminário contou com a presença do educador, José Pacheco, um dos idealizadores da Escola da Ponte de Portugal que falou sobre os caminhos da inclusão.

O evento discutiu temas como a “Responsabilidade pública na garantia de direitos do adolescente autor de ato infracional”, “Iniciativas de combate à evasão escolar”, Educação como diureito fundamental”, “O compromisso da educação pública com as crianças e os jovens de origem popular” e “O caminho para a inclusão”. O seminário ocorreu no auditório do Tribunal de Justiça da Bahia, situado na 5ª Av. do Centro Administrativo da Bahia (CAB), número 560. Salvador. Bahia.

Poupança realiza o sonho da casa própria

Casinha de Taipa

Famílias brasileiras já podem utilizar recursos da poupança para financiar imóveis. Diante das facilidades para adquirir o crédito imobiliário, o sonho da casa própria fica cada vez mais próximo de ser concretizado.

Agora, com os recursos da poupança famílias já podem realizar o sonho da casa própria. Mas, segundo o economista e professor de análise de investimento, Humberto dos Santos, o grande problema no Brasil é a existência de um déficit habitacional imenso, sem que haja fundos de longo prazo que permitam a aquisição de um imóvel, por mais simples que seja, pagando um valor do tamanho de um aluguel.

Com o Fundo de Garantia po Tempo de Serviço (FGTS) pode-se procurar linhas que permitam utilizar o recurso para amortizar o saldo devedor e abater prestações. Neste caso, estão incluídos os produtos que fazem parte do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), ou seja, usam recursos do FGTS ou da poupança.

Bancos e agências de financiamento se mobilizam para fisgar clientes que pretendem investir na aquisição de um imóvel. Há uma emergência para a construção ordenada de casas e condomínios residenciais. Essa urgência decorre da imigração de famílias que vivem na zona rural e desejam obter condições melhores de vida dentro da zona urbana. É importante ressaltar que o êxodo rural, na maioria das vezes, provoca problemas sociais.

A Associação de Dirigentes de Empresas de Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) organizou o Salão de Negócios Imobiliários da Bahia 2007 entre os dias 18 e 28 de outubro, em Salvador. O evento discutiu projetos de decoração dos imóveis e destacou que o estado da Bahia é a menina dos olhos de empresários e engenheiros estrangeiros que querem crescer no ramo do empreendimento imobiliário.

 

 

SERVIÇO:

– Acontecem em Salvador entre os dias 7 e 9 de novembro de 2007 a Conferência Internacional do Crédito Imobiliário organizado pelo Banco do Brasil.

Local: Fiesta Bahia Hotel – Av. Antonio Carlos Magalhães, 711.

Casa de Samba é inaugurada em Santo Amaro da Purificação

Samba de mulher

Solar Subaé sedia Casa de Samba em Santo Amaro da Purificação. O casarão abre, a parti de hoje (14/09), as portas e enfeita o palco de apresentações para o samba de roda, ritmo musical mais tradicional do Recôncavo baiano.

O Samba de Roda é um ritmo musical e uma manifestação tradicionalmente da cultura afro-brasileira. O samba é uma expressão mais que artística dentro do cerco da cultura do Recôncavo. É um símbolo de resistência que assegura por muitos anos o gingado das mulheres vinda de Àfrica e som do atabaque por mãos calejadas de tanto ordenar os ruídos do pandeiro, da viola, do berimbau e do chocalho. Santo Amaro da Purificação é uma cidade histórica e está localizada a 72 km de Salvador.

 

A Casa de Samba irá manter um vasto acervo digital – sonoro, audiovisual, visual e escrito – e funcionará como uma sede mantendora do Patrimônio Imateral. Esse centro de referência do Samba, como patrimônio imaterial é uma iniciativa do governo estadual e federal junto ao Iphan e ao Ministério da Cultura, nessa ocasião o governador Jacques Vagner e o ministro Gilberto Gil estiveram presentes para à inauguração. Segundo a Assessoria de Comunicação do Iphan foram investidos R$ 1,5 milhão para o restauro do imóvel que fica à Rua do Imperador, número 1,rua situada à beira do Rio Subaé.

 

Carnaval de Salvador segue na trilha da harmonia, será?

Trio elétrico

Movimentos sociais, sociólogos e antropólogos tentam reconstituir historicamente as festas de largo que acontecem ao longo do ano na cidade de Salvador. O carnaval da Bahia, predominante na capital, ganhou uma nova roupagem, isto em meados do século XX. Entre as décadas 1970 e 1980 o carnaval tinha uma característica totalmente avessa das décadas seguintes.

As marchinhas no Pelourinho e os encontros de pequenos trios na Praça Castro Alves eram os pontos simbólicos dessa alegria efêmera. Foi em 1974 que o primeiro bloco Afro (Bloco Ilê Aiyê) desfilou a beleza da diáspora africana na Avenida 7 de Setembro. Surgem também, sendo o mais tradicional os Filhos de Gandhy. Desfilar pela Avenida durante o carnaval de Salvador e perder de vista os blocos Afros é como ir à praia e não pisar na areia.

A união efêmera de diversos povos simulando uma confraria em favor da diversão é extraordinária durante a festividade do carnaval. Mesmo que esta (união) seja só aparentemente. É nesse período que a falsa democracia racial é identificada. Em cima dos trios elétricos há interação entre artistas de descendência indígena, africana, européia, asiática, etc.

Estando no chão é que essa democracia racial é desmascarada.A música tema do Carnaval 2007, cantada por Daniela Mercury e Jauperí, é uma retórica em favor da confraria entre povos de diversas culturas, mas não é o que praticidade demonstra: “Quem chega a Salvador/ É só felicidade/ No coração do mundo/ Na alma a liberdade/ Abraça toda fé/ Mistura toda cor/ Num banho de paz e amor…” O termo “abadá” quer dizer roupa, em Yorubá. É este o termo usado por empresas capitalistas para aglutinar foliais em volta de um trio.

A depender dos artistas que irão desfilar durante todo o percurso, esses abadás chegam a custar R$ 2.300. E o povo soteropolitano? Aqueles que circulam durante o resto do ano na Avenida 7, no Pelô, na Ondina e no Porto da Barra.Esses seguem suas vidas vendendo picolé, mingau, cafezinho e acarás, sendo assim, os legítimos foliais. É possível, em quase todos os anos, encontrar as mesmas caras nos arredores da “corda” ou atrás daqueles que vestem os abadás.

O carnaval soteropolitano realmente aderiu a uma nova característica. Isto é, a favor do capital financeiro. Na verdade o que interessa para as empresas que usufrui da cultura local é o lucro financeiro. E quem paga boa parte desse lucro? A população. O governo federal investe, o governo estadual investe e a prefeitura também investe na boa aparência desta cidade para a receptividade dos turistas. Tudo para disseminar o multiculturalismo discutido nas teses acadêmicas de um país respeita institucionalmente a diversidade étnica/racial e cultural.

Obs: Foto: http://www.terra.com.br/…/ba/triofotos.htm